Projeto da UEL avalia simulador da Oniria de realidade virtual para tratar fobias

12-oculus-rift-dk2-reactions-gdc-2014

Sentir medo de falar em público, de altura, de lugares fechados ou ambientes com muita gente como, por exemplo, shoppings e estádios de futebol é normal, mas quando este medo se torna uma fobia vira um problema. Segundo a professora Verônica Bender Haydu, do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento (CCB), a diferença entre medo e fobia é medida em grau. “O medo é uma reação normal e não impede a pessoa de enfrentar o problema, mas a fobia sim. Ela dispara reações fisiológicas, como taquicardia, falta de ar, sudorese, entre outras”, define.

Foi justamente pensando em uma forma inovadora de tratamento de fobias que a professora está desenvolvendo o projeto de pesquisa “Avaliação de um Simulador de Realidade Virtual para Tratamento de Medos e Fobias”, que conta com a participação dos docentes Silvia Aparecida Fornasari, também do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento e Elizeu Borloti, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), de um estudante de Iniciação Científica (IC) e de três mestrandos do Programa de Pós-graduação em Análise do Comportamento da UEL.

A professora Verônica Haydu explica que inicialmente a pesquisa tem três objetivos.? Primeiro queremos verificar se os ambientes virtuais têm a capacidade de gerar ansiedade e medo, também vamos avaliar a usabilidade do simulador e, por último, queremos verificar os efeitos terapêuticos deste programa de intervenção?, ressalta. Para isso o projeto vai trabalhar com problemas relacionados a fobias de falar em público, de altura, espaços fechados e fobia social. “Cada um dos diferentes tipos de ambientes virtuais será testado em um subprojeto devido às características peculiares das ações executadas pelos usuários nesses ambientes”, acrescenta Verônica Haydu.

FACILITADOR – Segundo a docente, o objetivo do simulador de realidade virtual é facilitar e ser um aliado no tratamento de medos e fobias, mas não substitui a exposição do paciente a uma situação real. ?Por mais que o simulador se aproxime do real, a pessoa sabe que se trata de uma simulação. Mas ele facilita o tratamento porque um paciente que tem fobia de entrar em um elevador, por exemplo, não enfrenta a situação nem com a presença de um terapeuta ao seu lado.?Começando com a exposição aos cenários virtuais e a intervenção do terapeuta, o paciente se sente mais seguro e não fica exposto publicamente quando está com medo intenso?

A professora acrescenta ainda que à medida que o paciente vai enfrentando os cenários virtuais suas reações de medo vão se enfraquecendo devido à exposição repetida e graduada.? Essa segurança e privacidade contribuem para o aumento da adesão ao tratamento e a possibilidade de superação do medo e da fobia?, destaca.

No caso deste projeto, o simulador não resulta em uma cabine como ocorre nos simuladores para pilotos de aviação ou de carros, o que seria financeiramente inviável.? Nosso simulador consiste em dois notebooks. Um gerencia a exposição do paciente enquanto está com o óculos RIFT e os fones de ouvidos conectados e, no outro, o terapeuta programa o que vai acontecer e avalia se aquela situação está gerando senso de presença e ansiedade, ou seja, é capaz de gerar medo. Vamos avaliar essas condições e se os cenários não forem apropriados será preciso fazer alterações para o que tratamento tenha a eficácia desejada?, ressalta.

A professora conta ainda que coordenou a proposição de um projeto em edital da Capes para a aquisição de mais dois simuladores, um para o Departamento e outro para ficar na Clínica Psicológica para ser usado pelos terapeutas e estagiários da Clínica. Mas como a pesquisa está em fase inicial e se trata de um projeto inovador, primeiro a usabilidade será avaliada por terapeutas e estudantes do 5º ano do curso de Psicologia e com voluntários que apresentam medos e fobias para avaliar sua eficácia.

O projeto está sendo totalmente financiado pelo Edital do SENAI-SESI de Inovação e a empresa Oniria de Londrina, que foi incubada da Intuel e premiada na área, venceu a concorrência e passou a desenvolver o simulador e os cenários virtuais que estão sendo usados na pesquisa.

Serviço: Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento (CCB) – Fone: (43) 3371-4227

Fonte: http://goo.gl/BRjdGd

“Cada um dos diferentes tipos de ambientes virtuais será testado em um subprojeto devido às características peculiares das ações executadas pelos usuários nesses ambientes.” – Verônica Bender Haydu, Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento.